O PROMOTOR DO PROJETO

Emmanuel de Ryckel

Emmanuel, nascido no Congo Belga em um ambiente pouco voltado para o mundo artístico, seguiu o caminho que sua família sonhava para ele e acabou se estabelecendo de forma duradoura como especialista em organização e planejamento industrial no setor farmacêutico.

Em 1997, pelos caminhos de sua profissão, descobriu o Rio de Janeiro e se apaixonou irresistivelmente pela cidade — sua cultura, seu povo, sua música. Mas sua paixão pela música sempre esteve presente.

Assim, quando o álbum Chambre avec vue, com o emblemático Jardin d’hiver, com seus perfumes de Bossa Nova, foi lançado em 2000, foi um verdadeiro choque para ele. Em um instante, a paixão de infância por Henri Salvador e sua Minnie petite souris, junto com sua nova paixão pelo Brasil, se encontraram de forma deslumbrante.

Em um primeiro encontro com Henri, ele viu em seus olhos a luz que brilha quando se fala do Brasil, percebendo o quanto ele estava feliz por esse novo disco finalmente revelar aquilo que sempre sonhou fazer.

Mas Emmanuel ficou profundamente incomodado com um rumor que circulava na França, sugerindo que Henri seria o criador da Bossa Nova. Essa história, que nunca havia surgido durante suas inúmeras viagens ao Rio, o levou a realizar uma investigação aprofundada junto a grandes nomes da música popular brasileira (Gilberto Gil, Roberto Menescal, Marcos Valle, Joyce Moreno, Jaques Morelenbaum, entre outros) para descobrir a verdade.

Após uma pesquisa minuciosa, a verdade finalmente veio à tona. A partir do testemunho desses artistas, ficou estabelecido que a Bossa Nova não foi criada por Henri. Ela certamente existiria sem ele, mas sua contribuição foi considerada determinante: “A Bossa Nova teria existido sem você, mas sem você não teria sido a mesma”, declarou certa noite Roberto Menescal, veterano da Bossa Nova, a Henri, emocionado diante de um reconhecimento tão grande.

É no cruzamento dessa história, desses encontros e desses anos de pesquisa que nasceu este projeto: um álbum concebido como a culminação de uma trajetória pessoal e como uma exploração sensível dos laços profundos que unem Henri Salvador à música brasileira.